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Os Pilares do Islam - O Jejum de Ramadhan04 JUL

TERCEIRO PILAR DO ISLAM

 O Jejum no Mês de Ramadan

O Jejum no mês de Ramadan se tornou obrigatório, em 624, segundo ano da Hégira.

Os versículos a seguir, nos falam da sua obrigatoriedade e explicam porque, quando e como jejuar:

"Ó fiéis, está-vos prescrito o jejum, tal como foi prescrito a vossos antepassados, para que temais a Deus. Jejuareis determinados dias; porém, quem de vós não cumprir o jejum, por achar-se enfermo ou em viagem, jejuará, depois o mesmo número de dias. Mas quem, só à custa de muito sacrifício, consegue cumpri-lo, vier a quebrá-lo, redimir-se-á, alimentando um necessitado; porém, quem se empenhar em fazer além do que for obrigatório, será melhor. Mas, se jejuardes, será preferível para vós, se quereis sabê-lo. O mês de Ramadan foi o mês em que foi revelado o Alcorão, orientação para a humanidade e evidência de orientação e Discernimento. Por conseguinte, quem de vós presenciar o novilúnio deste mês deverá jejuar; porém, quem se achar enfermo ou em viagem jejuará, depois, o mesmo número de dias. Deus vos deseja a comodidade e não a dificuldade, mas cumpri o número (de dias), e glorificai a Deus por Ter-vos orientado, a fim de que (Lhe) agradeçais." (Alcorão Sagrado 2:183-185)

Como podemos observar através da primeira parte dos versículos acima, a prática do Jejum não é algo novo e sim que Deus já o havia prescrito aos nossos antepassados

A obrigatoriedade do Jejum se deu em duas etapas:

  1. A opção de se escolher entre jejuar ou dar de comer a um necessitado, sendo a preferência para o ato de jejuar.
  2. A obrigatoriedade de jejuar, já sem a possibilidade de se escolher entre o jejum ou a alimentação de um necessitado.

A Jurisprudência Islâmica assim define o Jejum:

O Jejum é obrigatório para todo muçulmano que tenha atingido a puberdade e que goze de perfeita saúde física e mental.

O Jejum no Islam é o abster-se, desde o raiar da aurora até o pôr-do-sol, da ingestão de qualquer espécie de alimentos ou bebidas, assim como fumar e manter relações sexuais.

O período do jejum poderá ser maior ou menor (já que utilizamos o calendário lunar que é móvel), dependendo do mês e estação do ano correspondente no calendário solar.

Assim sendo, jejuamos algumas vezes no inverno, de dias curtos e frios, outras no verão, de dias longos e quentes, e outras vezes em períodos intermediários.

A isenção do Jejum se dá nos seguintes casos:

1- Quando a pessoa estiver enferma sem condições de jejuar:

Caso a pessoa esteja doente, poderá deixar de jejuar até se restabelecer ou, caso o médico ache que o jejum dificulta a cura do paciente, ele também deverá parar o jejum até se curar, devendo repor os dias não jejuados, quando estiver gozando de boa saúde.

Esta reposição não precisa ser feita imediatamente após o mês de Ramadan, ou de forma contínua, e terá como prazo para esta reposição até o último dia antes do início do próximo mês de Ramadan.

2- O viajante:

Quando a viajem tiver uma distância superior a 84 km, faculta-se ao viajante jejuar ou não. Isso vai depender de cada pessoa em analisar se a viajem é cansativa e por isso será uma dificuldade para ele jejuar ou não, devendo, da mesma forma que o item anterior, repor os dias não jejuados.

3- A gestante e a lactante:

Caso a mulher esteja grávida, ou amamentando, e temer pelo seu bebê, estará isenta do jejum, devendo, da mesma forma, repor os dias não jejuados, passado o período de gravidez ou de amamentação.

4- O idoso:

Que seja fisicamente incapaz de jejuar, para este o jejum não é mais obrigatório, cabendo ao idoso, caso possua condições, dar, para cada dia não jejuado, uma refeição a um necessitado, ou o valor equivalente a esta refeição. Caso contrário, estará perdoado em não fazê-lo.

5- A mulher menstruada, ou em resguardo pós parto:

Ela não jejuará até que passe este período. Mesmo que ela queira, ou sinta que possa fazê-lo, está-lhe vedado o jejum, e os dias não jejuados, deverão ser repostos, passado o período.

6- No caso de uma doença incurável:

A pessoa deixa de jejuar definitivamente, tendo que dar uma refeição a um necessitado para cada dia não jejuado, ou o equivalente ao valor de uma refeição, caso tenha condições para tal, caso contrário não está obrigado a nada.

O profeta Muhammad(que a Paz e as Bênçãos de Deus estejam sobre ele), nos aconselhou a fazermos o Suhur, que é uma refeição antes do início do jejum, ou seja, de madrugada, a fim de aliviar a fome e a sede, nos auxiliando no cumprimento diário do jejum.

Disse o profeta Muhammad(que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele): "Lançai mão do Suhur, porque há benção nesse ato."

Por outro lado, nos orientou a quebrarmos o jejum logo após o pôr-do-sol, sem prorrogá-lo. Quanto a isso ele disse: "Assim disse Deus Todo Poderoso Senhor da Glória: Dentre os meus servos, prefiro aquele que se apressa em quebrar o jejum.".

Quanto a quebrarmos o jejum com água e tâmara, ele disse: "Quando alguém quebra o jejum, deve fazê-lo com uma tâmara. Se não tiver, deverá fazê-lo com água, porque é pura, e purifica todo o organismo."

Se analisarmos esta recomendação do ponto de vista médico, veremos que os intestinos absorvem a água adoçada em menos de 5 minutos, proporcionando, assim, ao organismo, a recuperação imediata das calorias perdidas durante jejum, ao passo que se enchermos o estômago com água e outros alimentos, o organismo necessitaria de 3 à 4 horas para processar essa mesma operação.

A anulação do jejum se dará caso a pessoa pratique deliberadamente um desses atos, sabendo que o mesmo é pecado: comer, beber, fumar, ou ter relação sexual.

A expiação para este ato será que a pessoa faça um jejum durante 60 dias seguidos para cada dia não jejuado, ou que dê de comer a 60 pessoas pobres.

Mesmo que se faça tal expiação, terá perdido muitas graças, como disse o profeta Muhammad(que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele): "Quem quebrar um dia de jejum em Ramadan sem desculpa ou enfermidade, não o substitui o jejuar o resto de sua vida, mesmo que o faça."

O sentido desde dito é que jejuar um dia no mês de Ramadan é mais valioso, perante Deus, do que jejuar a vida toda.

Agora, caso a pessoa estando de jejum se esqueça e coma ou beba, ao se lembrar deverá imediatamente parar a ingestão do alimento ou da bebida e prosseguir o jejum, pois este ainda estará valendo.

Disse o profeta Muhammad(que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele): "Quando algum de vós come ou bebe, por acidente, esquecendo-se do seu jejum, deve continuar o jejum até o fim, porque (comendo ou bebendo por engano) significa que Deus lhe deu de comer e de beber."

O sublime espírito do Jejum no mês de Ramadan: Engana-se quem pensa que o jejum é apenas deixar de comer, beber, fumar ou ter relações sexuais. A privação não é a finalidade desta adoração e sim os inúmeros benefícios que estão por detrás deste ato. Tanto os relacionados conosco, como os relacionados com os nossos semelhantes.

Apesar de o jejum parecer difícil, ele não é imposto como uma forma de punição, mas sim como um ato de devoção e auto disciplina.

Citaremos alguns ditos do profeta Muhammad(que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), que dizem respeito a isso: "O muçulmano que não deixar de dizer inverdades e não abandonar todas as formas de maldade no Ramadan, não lhe adiantará jejuar pois a Deus não interessa que o muçulmano deixe apenas de comer e beber."

E disse: "Quando um de vós se levanta de manhã em estado de jejum não deve usar linguagens obscenas nem praticar qualquer ato de ignorância. E se alguém vos caluniar, ou quiser discutir convosco, deveis dizer: Estou jejuando, estou jejuando."

E disse: "Muitos jejuadores apenas obtêm a fome e a sede, assim como muitos ao fazerem a prece nada obtêm além do cansaço físico e da vigília."

Logo, podemos ver que o jejum é uma extraordinária escola que nos ensina os mais altos graus de moralidade, cria o amor e a misericórdia nos corações e nos acostuma com a prática da caridade.

O jejuador procura dizer coisas construtivas para os outros e nunca procura causar distúrbios entre as pessoas, procura dizer sempre a verdade e ser leal, não mentir nem difamar os outros, procura cumprir as suas promessas e nunca agir hipocritamente.

Portanto, ao jejuarmos um mês todo ano e colocarmos em prática tais ações, veremos que isso é viável e procuraremos agir dessa forma o ano inteiro. Logo, temos no jejum um verdadeiro exercício da fé.

O ato de ficarmos com fome e com sede não é, em si, adoração, mas um meio para realizarmos a verdadeira adoração. A verdadeira adoração significa desistirmos de violar a Lei de Deus, por temor e amor a Ele, buscando realizar atividades que O agradem, e refreando-nos quanto às que não O agradam, caso contrário, estaremos apenas causando uma inconveniência desnecessária ao nosso estômago.

Além de ser uma revisão, um balanço das nossas vidas, onde devemos nos perguntar se estamos agindo de acordo com o que agrada a Deus ou não? Nos perguntar o que estamos fazendo para matar a fome daqueles mais necessitados? E procurarmos corrigir os nossos passos e atitudes, a fim de nos aproximarmos ao máximo daquilo que agrada a Deus.

Os benefícios do Jejum no mês de Ramadan:

Disse o profeta Muhammad(que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele): "Aliviai-os da necessidade de saírem atrás de caridade nesse dia."

Os eventos históricos que aconteceram no mês de Ramadan:

  1. A revelação do Alcorão.
  2. A morte do tio do profeta Muhammad(que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), Abu Talib, no ano 10 da missão.
  3. A morte da esposa do profeta Muhammad(que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), Khadija Bint Khuailad, no ano 10 da missão.
  4. A instituição do zakat.
  5. A conquista de Makka, que se deu no dia 22 de Ramadan, no oitavo ano da Hégira, tendo os seus ídolos sido destruídos.
  6. O início da batalha de Tabuk.
  7. A morte de Fátima, filha do profeta, se deu no ano 11 no mês de Ramadan.
  8. A conquista da ilha de Rhodes e parte da Espanha, que se deu no ano 53 Hégira.
  9. A morte de Aicha esposa do profeta Muhammad(que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), que se deu no ano 85 Hégira.
  10. A derrota do rei Rodrigo, na Europa, por Tarik Ibn Ziyad, no ano 92 Hégira.
  11. A construção da universidade de Al Azhar, no Cairo, que foi concluída no ano 361 Hégira.
  12. A vitória dos muçulmanos comandados por Salahuddin al Ayyubi (saladino), sobre os cruzados que ocupavam a Palestina.
  13. A revolução dos malês na Bahia se deu no ano de 1835 do calendário gregoriano, no mês de Ramadan.